O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes O homem levou-o furtivamente pela grama até o estábulo. Cathy entrou pela janela da sala de visitas e subiu sem fazer ruído até o quarto, onde eu a aguardava. Fechou a porta com todo cuidado, tirou os sapatos cobertos de neve, desamarrou o chapéu e começava, sem dar pela minha presença, a pôr a capa de lado, quando subitamente me levantei e revelei que estava ali. A surpresa deixou-a petrificada por um instante; ela balbuciou uma exclamação indistinta e ficou ali parada.
– Minha querida srta. Catherine – comecei a dizer, por demais impressionada por suas recentes gentilezas para lhe dar uma bronca –, por onde andou, a esta hora, a cavalo? E por que tentar me enganar, contando uma mentira? Onde foi que esteve? Fale!
– Fui até o outro lado do parque – gaguejou ela. – Não lhe contei nenhuma mentira.
– E não foi a nenhum outro lugar? – indaguei.
– Não – resmungou em resposta.
– Ah, Catherine! – exclamei, tristemente. – Sabe que andou agindo mal, ou não se sentiria obrigada a me contar uma mentira. Isso me entristece. Preferiria ficar três meses doente do que ouvi-la mentir deliberadamente.
Ela se precipitou sobre mim num abraço, irrompendo em lágrimas.