O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes â Estremeci â respondeu ele. â Estremeço sempre que meu pai bate num cachorro ou num cavalo, tamanha Ă© a força que usa. Mas a princĂpio gostei: ela merecia ser punida por ter me empurrado. Mas quando papai se foi, ela fez com que eu me aproximasse da janela e me mostrou a boca ferida por dentro, onde batera contra os dentes, e se enchendo de sangue. Juntou entĂŁo os pedaços do retrato, foi se sentar, voltada para a parede, e desde entĂŁo nĂŁo falou mais comigo. Ăs vezes acho que Ă© a dor que a impede de falar. NĂŁo me agrada pensar que seja, mas Ă© insuportĂĄvel como chora sem parar, e seu aspecto Ă© tĂŁo pĂĄlido e feroz que tenho medo dela.
â E o senhor pode pegar a chave, se quiser? â perguntei.
â Sim, quando estou no andar de cima â respondeu ele â, mas nĂŁo posso ir para lĂĄ agora.
â Em que quarto ela estĂĄ? â perguntei.
â Ora â exclamou ele â, nĂŁo vou dizer a vocĂȘ qual o quarto! Ă o nosso segredo. NinguĂ©m, nem Hareton ou Zillah, pode saber. Pronto, vocĂȘ me cansou... VĂĄ embora, vĂĄ embora! â E apoiou o rosto no braço, voltando a fechar os olhos.