O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes â NĂŁo perturbei ninguĂ©m, Nelly â replicou ele â, e dei um pouco de paz a mim mesmo. Vou ficar bem mais tranquilo agora, e vocĂȘs vĂŁo ter mais chance de me manter debaixo da terra, uma vez que eu tiver sido colocado ali. PerturbĂĄ-la? NĂŁo! Ela que me perturbou, dia e noite, por dezoito anos... incessantemente... sem remorso... atĂ© anteontem; anteontem Ă noite eu me tranquilizei. Sonhei que estava dormindo o Ășltimo sono ao lado dela, com meu coração parado e a face gelada de encontro Ă sua.
â E se ela tivesse se dissolvido na terra, ou coisa pior, com o que o senhor teria sonhado? â indaguei.
â Teria sonhado em me dissolver com ela e ficaria ainda mais feliz! â respondeu ele. â Acha que tenho medo desse tipo de coisa? Eu esperava me deparar com uma transformação dessas ao abrir o caixĂŁo, mas prefiro que ainda nĂŁo tenha começado, atĂ© eu poder partilhar da mesma coisa. AlĂ©m disso, a menos que eu houvesse tido uma impressĂŁo diferente de suas feiçÔes impassĂveis, aquele estranho sentimento nĂŁo teria sido alterado. Começou de maneira esquisita. VocĂȘ sabe como fiquei transtornado depois que ela morreu... e eternamente, durante todas as horas do dia, pedia-lhe que ela me devolvesse seu espĂrito! Acredito piamente em fantasmas: estou convicto de que podem existir entre nĂłs, e de que existem, de fato!