O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes “No dia em que ela foi enterrada, nevou. À noite, fui até o cemitério. Soprava um vento gelado, como se fosse inverno; tudo em volta estava solitário. Eu não imaginava que o imbecil do marido dela fosse perambular pelo vale tão tarde, e ninguém mais tinha o que fazer ali.
“Sozinho, e consciente de que dois metros de terra solta eram a única barreira entre nós, disse a mim mesmo: ‘Hei de tê-la novamente nos braços! Se estiver fria, vou pensar que é este vento norte que me gela, e se estiver imóvel, será porque dorme.’
“Peguei uma pá no depósito de ferramentas e comecei a cavar com todas as minhas forças, até bater no caixão; pus-me então a cavar com as mãos. A madeira começou a estalar em torno dos parafusos, e eu estava a ponto de alcançar meu objetivo quando me pareceu ouvir alguém suspirando lá no alto, debruçado sobre a beira da cova. “Se conseguir tirar isto”, murmurei, “gostaria que nos cobrissem de terra, a nós dois!” E puxei ainda mais desesperadamente. Houve outro suspiro, junto ao meu ouvido. Pareceu-me poder sentir um hálito quente em meio à neve e à chuva que o vento trazia. Sabia que nenhum ser vivo de carne e osso estava por perto, mas, com a mesma certeza com que você percebe a aproximação de um corpo no escuro, embora não possa discerni-lo, senti que Cathy estava ali... não debaixo de mim, mas sobre a terra.