O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes “Uma súbita sensação de alívio fluiu do meu coração para todos os membros do meu corpo. Desisti dos meus esforços desesperados e me senti imediatamente consolado... indescritivelmente consolado. A presença dela estava comigo; comigo permaneceu enquanto eu voltava a encher de terra a sepultura e me conduziu até a casa. Pode rir, se quiser, mas tive certeza de que ia vê-la ao chegar. Tinha certeza de que ela estava comigo, e não podia evitar falar com ela.
“Ao chegar a Wuthering Heights, corri ansioso para a porta. Estava trancada; e, lembro-me, aquele maldito Earnshaw e minha mulher não queriam deixar que eu entrasse. Lembro-me de chutá-lo até ele ficar sem fôlego, e então corri lá para cima, para o quarto que fora meu e dela. Olhei ao redor com impaciência... sentia-a junto a mim... quase podia vê-la, e contudo não podia! Devo ter suado sangue, naquele momento, tamanha era a angústia do meu desejo... tamanho era o fervor de minhas súplicas de vê-la pelo menos uma vez! Mas não aconteceu. Ela se mostrou, como tantas vezes em vida, um demônio para comigo! E desde então, às vezes mais, às vezes menos, tenho sido vítima dessa intolerável tortura! Infernal! Isso me deixa os nervos tão à flor da pele que, se não parecessem feitos de aço, a esta altura já teriam relaxado e estariam tão fracos quanto os de Linton.