O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Não é Nelly! – respondeu Joseph. – Não iria querer ir embora por causa da Nelly... por mais imprestável que seja. Graças a Deus! Ela não pode roubar a alma de ninguém! Nunca foi bonita, desse tipo que faz os homens ficarem olhando sem piscar. Foi aquela menina desavergonhada que enfeitiçou o rapaz, com esse seu olhar atrevido e esse seu jeito assanhado, até... Não! Meu coração parece que vai se partir! Ele esqueceu tudo o que fiz por ele e ensinei a ele, e foi lá e arrancou uma fileira inteirinha de pés de groselha, os mais bonitos do jardim! – E irrompeu em novas lamúrias, abatido pelo sentimento de ter sido ultrajado, pela ingratidão de Earnshaw e pelos perigos que o rapaz corria.
– Esse velho tolo está bêbado? – indagou o sr. Heathcliff. – Hareton, o problema é com você?
– Arranquei dois ou três arbustos – respondeu o jovem –, mas vou plantá-los de volta.
– E por que foi que arrancou? – perguntou o patrão.
Catherine sabiamente decidiu interferir.
– Queríamos plantar umas flores ali – explicou. – Sou a única culpada, pois pedi a ele que fizesse isso.
– E quem diabos deu a você permissão para tocar num galho seco desta propriedade? – indagou seu sogro, muito surpreso. – E quem deu ordens a você para obedecer a ela? – acrescentou, virando-se para Hareton.