O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes – Por que não pode ser sempre um bom homem, pai?
Mas assim que notou que o irritara, beijou-lhe a mão e disse que ia cantar para ele dormir. Começou a cantar bem baixinho, até que os dedos dele se soltaram dos seus, e a cabeça caiu-lhe sobre o peito. Eu disse a ela, então, que ficasse quieta e não se mexesse, para não o acordar. Ficamos todos ali calados durante uma meia hora, e teríamos ficado mais tempo se não fosse Joseph, que terminara o capítulo, levantar-se e dizer que tinha que acordar o patrão para que fizesse as orações e fosse para a cama. Aproximou-se e o chamou pelo nome, tocando-lhe o ombro, mas o patrão não se mexeu. Joseph então pegou a vela e fitou-o.
Percebi que havia algo de errado quando ele pousou a vela e, segurando as crianças cada uma por um braço, sussurrou-lhes que subissem e não fizessem muito barulho; podiam rezar sozinhas aquela noite, ele tinha algo a fazer.
– Quero primeiro dar boa-noite ao meu pai – disse Catherine, passando os braços em torno de seu pescoço antes que pudéssemos impedi-la. A pobrezinha percebeu logo o que acontecera e exclamou: – Ah, ele morreu, Heathcliff! Ele morreu! – E os dois caíram num choro de cortar o coração.