O Morro dos Ventos Uivantes

O Morro dos Ventos Uivantes

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– NĂŁo, Cathy – dizia o velho –, nĂŁo posso gostar de vocĂȘ. É ainda pior do que o seu irmĂŁo. VĂĄ fazer suas oraçÔes e pedir perdĂŁo a Deus. Sua mĂŁe e eu ainda vamos lamentar o fato de vocĂȘ ter nascido!

Isso a princĂ­pio a fazia chorar; depois, o fato de ser continuamente repelida acabou por endurecĂȘ-la, e ela ria se eu a aconselhava a dizer que sentia muito por algo que tivesse feito de errado e pedir desculpas.

Por fim, contudo, chegou a hora em que o sr. Earnshaw haveria de descansar de suas preocupaçÔes terrenas. Ele morreu tranquilo, em sua poltrona, certa noite de outubro, sentado junto à lareira.

Um vento forte soprava ao redor da casa e rugia na chaminĂ©: parecia uma tempestade, mas nĂŁo fazia frio, e estĂĄvamos todos reunidos – eu, um pouco distante da lareira, ocupada com meu tricĂŽ, e Joseph lendo a BĂ­blia perto da mesa (pois os criados, naquela Ă©poca, vinham se sentar na sala depois de terminado o trabalho). A srta. Cathy andara doente, e isso a deixava mais calma; estava apoiada no joelho do pai, e Heathcliff estava deitado no chĂŁo, com a cabeça no colo dela.

Lembro que antes de pegar no sono o patrĂŁo acariciou o belo cabelo da filha – gostava de vĂȘ-la assim tranquila – e disse:

– Por que não pode ser sempre uma boa menina, Cathy?

E ela virou o rosto para ele, rindo, e respondeu:


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