Poemas
Poemas De criatura que sente de certa maneira...
Devo ser todo doente —ideias e tudo.
Quando estou doente, não estou doente para outra cousa.
Por isso essas canções que me renegam
Não são capazes de me renegar
E são a paisagem da minha alma de noite,
A mesma ao contrário...
XVI
QUEM ME DERA que a minha vida fosse um carro de bois
Que vem a chiar, manhãzinha cedo, pela estrada,
E que para de onde veio volta depois
Quase à noitinha pela mesma estrada.
Eu não tinha que ter esperanças —tinha só que ter rodas.
A minha velhice não tinha rugas nem cabelo branco...
Quando eujá não servia, tiravam-me as rodas
E eu ficava virado e partido no fundo de um barranco.
XVII
NO MEU PRATO que mistura de Natureza!
As minhas irmãs as plantas,
As companheiras das fontes, as santas
A quem ninguém reza.,.