Poemas

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E cortam-as e vêm à nossa mesa

E nos hotéis os hóspedes ruidosos,

Que chegam com correias tendo mantas

Pedem «Salada», descuidosos...,

Sem pensar que exigem à Terra-Mãe

A sua frescura e os seus filhos primeiros,

As primeiras verdes palavras que ela tem,

As primeiras cousas vivas e irisantes

Que Noé viu

Quando as águas desceram e o cimo dos montes

Verde e alagado surgiu

E no ar por onde a pomba apareceu

O arco-íris se esbateu...

XVIII

QUEM ME DERA que eu fosse o pó da estrada

E que os pés dos pobres me estivessem pisando...

Quem me dera que eu fosse os rios que correm

E que as lavadeiras estivessem à minha beira...

Quem me dera que eu fosse os choupos à margem do rio

E tivesse só o céu por cima e a água por baixo...

Quem me dera que eu fosse o burro do moleiro

E que ele me batesse e me estimasse...


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