A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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“E se isto é assim—disse ele consigo—e eu parto da vida com a consciência de que destruí tudo o que me foi dado, se não se pode mais corrigi-lo, que fazer então?” Deitou-se de costas e pôs-se a examinar toda a sua vida de maneira completamente diversa. Quando ele viu de manhã o criado, depois a mulher, em seguida a filha, o médico, cada um dos movimentos deles, cada uma das suas palavras confirmavam para ele a terrível verdade que se revelara naquela noite. Via neles a si mesmo, tudo aquilo de que vivera, e via claramente que tudo aquilo era não o que devia ser, mas um embuste horrível, descomunal, que ocultava tanto a vida como a morte. A consciência disso aumentou, decuplicou os seus sofrimentos físicos. Ele gemia, revolvia-se e repuxava a roupa, tinha a impressão de que ela o apertava e sufocava. E ele odiava-os por isso.

Deram-lhe uma dose grande de ópio, ele ficou inconsciente; mas, na hora do jantar, tudo recomeçou. Repelia a todos e revolvia-se de um lado a outro.

A mulher foi até ele e disse:

— Jean, meu querido, faça isso por mim (por mim?). Isso não pode fazer mal, e muitas vezes ajuda. Ora, não é nada. Mesmo gente sadia muitas vezes...

Ele arregalou os olhos.

— O quê? Receber a comunhão? Para quê? Não é preciso! Aliás...

Ela rompeu em pranto.


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