A Morte de Ivan Ilitch

A Morte de Ivan Ilitch

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— Sim, meu bem? Vou chamar o nosso, ele é tão simpático.

— Ótimo, muito bem—disse ele.

Depois que veio o sacerdote e confessou-o, ele amoleceu, sentiu uma espécie de atenuamento das suas dúvidas e, consequentemente, dos seus sofrimentos, e desceu sobre ele um minuto de esperança. Pôs-se novamente a pensar sobre o ceco e a possibilidade de consertá-lo. Comungou com os olhos rasos d’água.

Quando o deitaram depois da comunhão, sentiu-se alivado por uns instantes, e novamente apareceu-lhe uma esperança de viver. Começou a pensar sobre a operação que lhe propunham. “Viver, quero viver”—dizia consigo mesmo. A mulher veio dar-lhe os parabéns; disse as palavras costumeiras e acrescentou:

— Não é verdade que está melhor?

Sem olhá-la, ele disse: sim.

O traje dela, a sua compleição, a expressão do rosto, o som da sua voz, tudo lhe dizia somente: “Não é isso. Tudo aquilo de que viveste e de que vives é uma mentira, um embuste, que oculta de ti a vida e a morte”. E apenas ele pensou isso, ergueu-se nele o seu ódio e, a par do ódio, penosos sofrimentos físicos, e a par destes, a consciência da sua perdição próxima, inevitável. Apareceu-lhe algo novo: aquilo girava, dava pontadas, comprimia-lhe a respiração.


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