A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch “Alguma coisa não está certa; tenho que me acalmar, tenho que pensar em tudo desde o começo.” E ele se pôs a pensar. “Sim, o início da doença. Dei uma batida de lado, mas não percebi grande mudança em mim, nem aquele dia, nem no seguinte; doeu um pouco, depois mais, depois os médicos, depois o humor tristonho, a angústia, de novo os médicos; e eu estava caminhando cada vez mais perto, mais perto do abismo. As forças diminuíam. Estava cada vez mais perto, mais perto. E eis que me consumi, não tenho mais luz nos olhos. E aí está a morte, e eu só penso no meu ceco. Penso em consertar o ceco, mas isto aqui é a morte. Será mesmo?” Novamente, o pavor apossou-se dele, ficou ofegante, inclinou-se, começou a procurar os fósforos, apertou o cotovelo contra o criado-mudo. Este era um estorvo e causava-lhe dor; enfureceu-se contra ele, pressionou-o com mais força e derrubou-o. E desesperado, perdendo o fôlego, caiu de costas, esperando a morte naquele instante.
No entretanto, as visitas estavam se retirando. Prascóvia Fiódorovna acompanhava-as. Ela ouviu a queda e entrou no quarto.
— O que há com você?
— Nada. Deixei cair sem querer.
Ela saiu, trouxe uma vela. Ele estava deitado, respirando pesadamente e depressa, como um homem que tivesse corrido uma versta sem parar, e olhava-a, os olhos parados.