A Morte de Ivan Ilitch
A Morte de Ivan Ilitch — O que tem você, Jean?
— Na... ada. Dei...xei... ca.... ir. “Para quê falar? Ela não vai compreender”—pensou ele.
De fato, ela não compreendeu. Levantou o criado-mudo, acendeu uma vela para ele e saiu apressada: ainda tinha que acompanhar uma das convidadas.
Quando ela voltou, ele estava deitado de costas como antes, olhando para o alto.
— O que tem você? Está pior?
— Sim.
Ela meneou a cabeça, ficou um pouco sentada.
— Sabe, Jean? Eu penso se não seria bom chamar o Lieschetchítzki.
Isto significava chamar o médico famoso e não poupar despesa. Ele sorriu venenoso e disse: “Não”. Ela ficou sentada mais algum tempo, aproximou-se dele e beijou-lhe a testa.
Ele a odiava de todo o coração nos momentos em que ela o beijava, e fez um esforço para não a repelir.
— Boa noite. Se Deus quiser, você vai dormir.
— Sim.