O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Eu ia obedecer, quando ele me deteve de súbito, acrescentando, num tom de voz estranho:
– Faça o favor de trancar a porta e passar o ferrolho. Não se esqueça!
– Está bem! – assenti. – Mas por quê, sr. Earnshaw?
Não me agradava a ideia de me trancar deliberadamente no quarto com Heathcliff.
– Olhe aqui! – respondeu ele, tirando do colete uma pistola de curiosa fabricação, com uma faca de dois gumes presa ao cano. – É uma tentação imensa para um homem desesperado, não acha? Não resisto a subir com isto aqui toda noite e tentar abrir a porta dele. Se em algum momento encontrá-la aberta, vai ser o fim dele. Faço isso invariavelmente, mesmo que no minuto anterior estivesse me lembrando de uma centena de motivos para me conter. É algum demônio que me impele a frustrar meus próprios planos e matá-lo. Você pode lutar contra esse demônio, por amor, pelo tempo que quiser; quando o momento chegar, nem todos os anjos do céu haverão de salvá-lo!