O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Observei, curiosa, a arma. Uma ideia terrível me ocorreu: como eu seria poderosa se possuísse um instrumento como aquele! Tirei-a de sua mão e toquei a lâmina. Ele pareceu atônito diante da expressão que meu rosto assumiu durante um breve segundo. Não era horror, mas sim cobiça. Tomou a pistola de volta, enciumado, fechou a faca e guardou a arma no colete.
– Não me importo se contar a ele – disse-me. – Que seja precavido, e você também, por ele. Pelo que vejo, sabe em que termos estamos. O perigo que ele corre não a espanta.
– O que Heathcliff lhe fez? – perguntei. – Que mal lhe causou, a fim de provocar esse ódio terrível? Não seria melhor ordenar que ele saia de casa?
– Não! – esbravejou Earnshaw. – Se ele oferecer me deixar, é um homem morto. Se o persuadir a tentar, vai ser uma assassina! Devo perder tudo, sem uma chance de recuperar o que perdi? Hareton deve se tornar um mendigo? Ah, por todos os infernos! Vou recuperar tudo, e vou ganhar o ouro dele também, e depois o seu sangue, e o inferno vai ficar com sua alma! Vai ser dez vezes mais negro com esse novo hóspede!
Você já tinha me falado, Ellen, dos hábitos do seu antigo patrão. Ele está visivelmente à beira da loucura – assim estava ontem à noite, pelo menos. Ficar perto dele me causava arrepios, e a morosidade grosseira do criado me pareceu agradável, em comparação.