O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Os sinos da capela de Gimmerton ainda soavam, e o sussurro do rio correndo cheio no vale acalmava os ouvidos. Era um doce substituto ao murmúrio ainda ausente das folhagens de verão, que se sobrepunha a todos os outros sons em volta de Grange quando as árvores estavam em sua plenitude. Em Wuthering Heights, o ruído sempre se fazia ouvir em dias silenciosos, que se seguiam ao degelo ou a uma temporada de chuva constante. E era em Wuthering Heights que Catherine pensava enquanto escutava, se é que pensava ou escutava; mas tinha no rosto aquele olhar distante que mencionei anteriormente e que não expressava reconhecimento do mundo material, fosse pelos olhos ou pelos ouvidos.
– Chegou uma carta para a senhora, sra. Linton – disse, depositando-a delicadamente na mão apoiada sobre seu joelho. – Deve ler imediatamente, porque requer uma resposta. Quer que eu quebre o lacre?
– Sim – respondeu ela, sem alterar a direção dos olhos.
Abri; era bastante curta.
– Pronto – prossegui. – Pode ler.
Ela retirou a mão e deixou a carta cair. Voltei a colocá-la sobre seu colo e fiquei esperando até que ela decidisse baixar os olhos, mas o movimento tardava tanto que por fim perguntei:
– Quer que eu leia? É do sr. Heathcliff.