O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Com ânsia crescente, Catherine voltou os olhos para a porta do quarto. Ele não entrou ali de imediato. Ela fez um sinal para que eu o admitisse, mas Heathcliff encontrou o quarto antes que eu chegasse à porta, e com uma ou duas largas passadas estava ao lado dela, apertando-a nos braços.
Ele nada disse, nem afrouxou o abraço, durante uns cinco minutos, mas, por todo esse tempo cobriu-a de mais beijos do que jamais dera em toda a sua vida, suponho. Minha patroa beijara-o primeiro, e vi claramente que ele mal suportava, de pura agonia, fitá-la no rosto! No instante em que a viu, a mesma convicção que eu tinha também se apoderou dele – a de que não havia perspectiva de recuperação, ela estava fadada a morrer.
– Ah, Cathy! Ah, minha vida! Como posso suportar? – foi a primeira frase que pronunciou, num tom que não tentava disfarçar seu desespero.
E agora fitava-a com tamanho ardor que achei que a própria intensidade do seu olhar seria suficiente para trazer lágrimas aos seus olhos; mas eles ardiam de angústia e não derreteram.