O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Choveu sem parar o dia todo; não pudemos ir à igreja, de modo que Joseph teve de reunir uma congregação no sótão. Enquanto Hindley e sua esposa ficaram lá embaixo, confortavelmente instalados diante da lareira, fazendo qualquer coisa menos ler a Bíblia, posso jurar, Heathcliff, eu e o pobre rapaz do arado fomos obrigados a pegar nossos livros de oração e subir: dispostos numa fileira, sobre um saco de milho, resmungando e tiritando de frio, e esperando que Joseph também tiritasse, para que o sermão fosse mais curto. Vã esperança! O serviço durou exatas três horas, e ainda assim meu irmão teve a petulância de perguntar, quando nos viu descendo:
– O quê, já terminaram?
Nas tardes de domingo costumávamos ter permissão para brincar, se não fizéssemos muito barulho; agora, um ruído de nada é suficiente para que nos ponham de castigo!
– Esquece quem manda aqui – diz o tirano. – Acabo com o primeiro que me irritar! Faço questão de compostura e silêncio absolutos. Ah, foi você, menino? Frances, querida, aproveite que está passando e puxe o cabelo dele: ouvi-o estalar os dedos.
Frances puxou-lhe o cabelo com vontade, indo depois se sentar no colo do marido, e ali ficaram os dois, feito bebezinhos, beijando-se e falando bobagens, bobagens mesmo, coisas de que deveríamos nos envergonhar.