O Morro dos Ventos Uivantes
O Morro dos Ventos Uivantes Não parava de afligi-lo com o destino de sua alma e com a necessidade de uma educação rígida para os filhos. Encorajava-o a considerar Hindley um réprobo e, noite após noite, desfiava um comprido rosário de histórias contra Heathcliff e Catherine – tomando sempre o cuidado de respeitar o preferido de Earnshaw e colocar a maior parte da culpa na garota.
Ela era, de fato, a criança mais difícil que eu já vira, e nos fazia perder a paciência cinquenta vezes por dia, no mínimo. Desde o momento em que descia do quarto até a hora em que ia se deitar, não tínhamos certeza nem por um minuto de que não estaria metida em alguma travessura. Parecia sempre pronta para isso, e nunca fechava a boca; estava sempre cantando, rindo e atazanando quem não estivesse disposto a fazer o mesmo. Um diabinho, mas tinha os olhos mais lindos, o sorriso mais encantador e os pés mais ágeis da paróquia. Não creio, ademais, que fosse mal-intencionada, pois quando fazia alguém chorar de verdade raramente deixava de lhe fazer companhia e obrigar a pessoa a se acalmar para que ela própria pudesse então ser reconfortada.
Adorava Heathcliff. O maior castigo que podíamos inventar para ela era separá-la dele, mas por sua causa era mais repreendida do que qualquer um de nós.